Maio de 2017 – O quarto período* do Painel de Vendas de Livros de 2017 apresentou resultados mais tímidos que o anterior, mas garantiu o ritmo de recuperação do ano em comparação a 2016.

Impactado por dois feriados prolongados consecutivos (14/04, Sexta-feira Santa, e 21/04, Tiradentes), o período analisado permaneceu estável em relação aos resultados em volume e faturamento, que foram 1,80% e 4,15%, respectivamente, maiores que no mesmo intervalo em 2016.

No acumulado do ano, mesmo que com resultado menor que o do fechamento do trimestre, o mercado mostrou desempenho positivo em volume, 5,78%, e em faturamento, 6,51%.

Esses são alguns dos dados do 4º Painel das Vendas de Livros no Brasil em 2017, apresentados pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e pela Nielsen. Os números têm como base o resultado de Nielsen BookScan Brasil, que apura as vendas das principais livrarias e supermercados no país.

Veja o estudo completo aqui.

* T. Mercado – Período 4: 2016 (28/03 a 24/04/2016) x 2017 (27/03 a 23/04/2017)
**T. Mercado – Acumulado WK01 / WK16: 2016 (04/01 a24/04 /2016) x 2017 (02/01 a 23/04/2017)
Fonte: Nielsen | Nielsen BookScan

Apresentação da pesquisa aconteceu nesta quarta (17) na sede do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, no Rio. Da esquerda para direita, o presidente do SNEL, Marcos da Veiga Pereira; a Profª Leda Paulani e a economista Mariana Bueno, da Fipe; e Fernanda Garcia, diretora da CBL.

Confira aqui o estudo na íntegra.

Setor editorial teve queda real de 5,2% em 2016

A pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial  Brasileiro revela que editoras acumularam um recuo superior a 17% em dois anos consecutivos afetados pela crise econômica no país

Em 2016, o setor editorial brasileiro produziu 427,2 milhões de exemplares, vendeu 385,1 milhões e faturou R$ 5,27 bilhões. É o que mostra a nova edição da Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a pedido do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

Comparado a 2015, o faturamento total das editoras no ano passado apresentou crescimento nominal de 0,74%, o que significa um decréscimo real de 5,2%, levando em conta a variação do IPCA de 6,3% no período.

Apesar de menos acentuada que no ano anterior – quando alcançou a marca dos 12,6% negativos –, a queda em 2016 traz consequências expressivas para a indústria do livro que, em dois anos, acumulou uma redução de mais de 17% em termos reais.

Neste cenário, pesou o desempenho do segmento mercado, cujo faturamento de R$ 3,8 bilhões representou uma queda nominal de 3,3%. O número implica um recuo acentuado das vendas de livros específicas para o mercado nos dois últimos anos: considerando as performances consecutivas de 2015 e 2016, a queda real acumulada em valor é superior a 20%.

No caso das vendas para o governo, os números se mostram positivos tanto em termos de faturamento (R$ 1,4 bilhões, com aumento de 13,8%) quanto em número de exemplares vendidos, que cresceu 16,5% em 2016, indo para 156,8 milhões.

Voltando a analisar o faturamento com as vendas ao mercado, os subsetores de CTP (Científicos, Técnicos e Profissionais) e de Obras Gerais foram os que mais encolheram. Impactadas pela crise econômica nacional, as editoras de CTP tiveram uma queda nominal de 10,5% (e real de 15,85%) em valor, seguidas pelas editoras de Obras Gerais, que faturaram 4,8% a menos em termos nominais. O subsetor de Religiosos, que havia se mantido estável em 2015, também sofreu redução em valor (4,6%, nominal) no ano passado.

Na contramão dos índices negativos, aparece o subsetor de Didáticos, que, no mercado, ascendeu 3,7% (nominal) em faturamento, indo para R$1,4 bilhões.

Produção

O total de exemplares produzidos caiu 4,4% em 2016.

Quanto à tiragem de obras lançadas, houve redução de 8,57% em 2016 (80.026.152 novos exemplares produzidos). Os subsetores de Obras Gerais e de Científicos, Técnicos e Profissionais (CTP) foram os mais contidos na produção total de exemplares (novos ISBN + reimpressões) no ano passado, reduzindo suas tiragens em 9,6% e 7,6%, respectivamente, em comparação a 2015.

A pesquisa indica, ainda, que foram editados 51,8 mil títulos em 2016, dos quais 17,37 mil são novos.

Áreas temáticas

Entre as 24 áreas temáticas que o estudo abrange, estão em primeiro lugar as obras classificadas como Didáticas, com participação de 48,48% no total de exemplares produzidos em 2016. Na sequência, vêm os exemplares de Religião (20,79%), Literatura adulta (7,71%), Autoajuda (4,78%), Literatura Infantil (3,89%) e Literatura Juvenil (2,39%). Nesta lista, chama atenção o aumento da participação dos livros do gênero Biografia (1,2%), que tiveram um crescimento de 22,5% em exemplares produzidos em 2016 (5,14 milhões), e também a queda expressiva dos títulos de Medicina, Farmácia, Saúde Pública e Higiene, com redução de 4,3 milhões de exemplares produzidos em 2016 e uma participação de 0,93%.

Como o livro chega ao mercado

Com 119,4 milhões de exemplares vendidos (52,73% do total comercializado no mercado, excluindo-se governo), as livrarias se mantiveram como o principal canal de venda das editoras. Os distribuidores representaram a venda de 39 milhões de livros, o equivalente a 17,22%. O segmento porta a porta teve participação de 8,18%, com 18,5 milhões de livros. Já as livrarias exclusivamente virtuais apresentaram um crescimento em sua participação nas vendas em 2016, subindo de 1,97% para 2,43%, o que significa 5,5 milhões de exemplares vendidos.

A comercialização em igrejas e templos (4,88%), supermercados (3,44%) e escolas (2,5%) também tem relevância. A venda direta nos sites das editoras segue modesta, com participação de apenas 0,73% do total.

Produção digital

Pela primeira vez desde 2014, quando passaram a integrar a pesquisa, os dados referentes à produção de conteúdo digital das editoras não entraram na edição. Os números da produção de e-books no país ganham em 2017 um diagnóstico exclusivo – o Censo do Livro Digital, estudo inédito que realizará o mapeamento da produção digital brasileira.

Com apresentação prevista para agosto, o Censo do Livro Digital é mais uma parceria entre o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e a Câmara Brasileira do Livro (CBL), com realização da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicos (Fipe/USP).

Abril de 2017 – O presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, Marcos da Veiga Pereira, é destaque na seção de entrevistados do site da Associação Estadual de Livrarias do Rio de Janeiro (AELRJ) nesta terça-feira (25).

Leia abaixo a entrevista completa publicada no portal da entidade.


Por um mercado mais profissional

Tornar o mercado livreiro mais profissional e transparente é a principal proposta do editor Marcos da Veiga Pereira, que assumiu a presidência do Sindicato Nacional dos Editores de Livros – SNEL – em 2015 e termina este ano o primeiro mandato à frente da entidade com vitórias nesse sentido.

Em sua gestão, o SNEL, com o instituto de pesquisas Nielsen, iniciou a divulgação mensal do Painel das Vendas de Livros no Brasil que, para o editor do site PublishNews, Leonardo Neto, é um marco importante na indústria editorial: ”uma ferramenta valiosa para quem tem o livro como matéria prima”.

A entidade também prepara o primeiro Censo do Livro Digital no Brasil e pela primeira vez, se mostra favorável a regulamentação do mercado editorial através de uma lei que já vinha sendo reivindicada pela Associação Nacional de Livrarias e pela AEL há muitos anos.

Com o irmão Tomás da Veiga Pereira, Marcos é sócio da Editora Sextante, uma das mais bem sucedidas do Brasil; somente este ano colocou 39 títulos na lista dos mais vendidos do PublishNews, empatada em primeiro lugar com a Intrínseca.

Os dois editores são netos de José Olympio, livreiro em São Paulo na década de 30 e maior editor do país na década de 50 à frente da casa com seu nome, e filhos de Geraldo Jordão Pereira fundador da editora Salamandra e da Sextante.

Em sua gestão no SNEL duas metas propostas na posse foram alcançadas, a Lei das Biografias e a isenção tributária para e-books. E como ficou a Lei do Preço Fixo?

Tanto a Lei das Biografias como a isenção dos livros eletrônicos foram pautas que herdei da Sonia Jardim. Ela e o Roberto Feith, então vice-presidente, merecem o crédito. Claro que a nova diretoria encampou essas bandeiras e as levou para frente. Mas o grosso do trabalho foi feito na gestão anterior. Estamos colhendo a vitória de algo que foi plantado lá atrás. As duas outras bandeiras na nossa posse eram a Lei do Preço Fixo e a Lei do Direito Autoral.

No caso da Lei do Preço Fixo a gestão anterior da Sonia Jardim se mostrava reticente.

Não colocaria na boca da Sonia. Acho que os editores em geral e eu mesmo durante muito tempo fui uma voz contrária à Lei do Preço Fixo. Não tínhamos muita clareza de como era a aplicação da lei no mundo e do impacto realmente danoso que a concorrência passou a praticar. Achamos que a concorrência era boa. Só que ela passou a ser desleal e aí se entra em um ciclo que é impossível se manter as livrarias saudáveis.

Essa consciência veio com a chegada da Amazon ao Brasil?

Acho que não. Foi no momento em que o varejo on-line ganha relevância e começa a interferir no varejo tradicional. Você começa a ter perda de fluxo nas lojas por conta dele. Talvez a Amazon exarcebe esse momento, mas ele já estava instalado. Já vivíamos essa guerra de preços há bastante tempo. E naquela transição os editores novamente são chamados para discutir o preço fixo e talvez eu tenha exercido uma liderança no sentido de mudar a opinião dos editores porque percebi que era o momento de termos isso como uma lei. Acho que um pacto entre o mercado não funcionaria. O mecanismo deve ser legal.

Por isso o SNEL não assinou o Manual de Boas Práticas da ANL na Convenção de 2016?

Acho que sim. Ali você tem uma discussão adicional complicada que é a distribuição do livro didático no Brasil. Que me lembre vem desde os anos 60. Me lembro do meu pai e do meu avô em reuniões em que os livreiros acusavam os editores de venderem diretamente através da escola. É uma discussão que tem mais de 50 anos e me parece perdida. São formas diferentes de vender o livro. O que o editor de didáticos mais precisa é que o professor adote o livro e a livraria nem sempre atende a essa necessidade. É uma polêmica grande. É a história do ovo e da galinha. Mas quando o Bernardo me chamou para conversar sobre o mercado, falar sobre o Manual de Boas Práticas, não vi na assinatura daquele documento algo que fosse efetivo. Como presidente do SNEL não vou recomendar algo que não sinta que vá fazer uma diferença. Sou muito pragmático. Gosto que minha fala esteja coerente com minha prática. Não vi naquele documento a solução para o mercado.

A Lei do Preço Fixo tem perspectivas de ser aprovada no Brasil?

Nosso maior desafio é como convencer a sociedade de que um projeto que restringe descontos ao consumidor é benéfico para ele. Se eu publicar um artigo no PublishNews dizendo que a Lei do Preço Fixo é boa para o consumidor, tenho certeza absoluta de que vou ter 95% de comentários negativos. Para mim não há problema porque não estou em nenhum concurso de popularidade. Mas para um senador ou deputado há. Eles têm de ter um nível de convicção monumental para falar isso. Não chega a ser reforma da previdência em nível de rejeição, mas é muito grande. Dito isso, a Lei do Preço Fixo é cada vez mais urgente. A situação do mercado editorial brasileiro exige que tenhamos uma definição de lei que proteja o mercado como um todo. Esse projeto nasceu para proteger todo o ambiente do livro, não só a pequena livraria. O que está em jogo é a percepção de valor que o livro tem para a sociedade. Se o consumidor passa a acreditar que o livro só vale 70% ou 60% do preço que foi definido pelo editor, isso vira a crença dele. Tivemos uma desvalorização imensa do preço do livro ao longo dos anos. O preço até aumentou um pouco nos últimos 18 meses porque chegou a um nível em que não dava para trabalhar.

Em 2016 a parceria inédita entre o SNEL e a AEL gerou o 1º Festival das Livrarias do Rio. Há outras formas de juntar essas entidades às vezes tão distanciadas?

Talvez um diferencial da nossa gestão tenha sido estarmos mais abertos às entidades do livro em geral. Essa proximidade é vantajosa para todos embora nem sempre iremos chegar a um denominador comum. Durante esses dois anos e meio tivemos uma participação permanente no fórum das entidades do livro. Tivemos uma aproximação muito bacana com a AEL. Institucionalmente é muito importante estar próximo porque se discutem questões como a Lei do Preço Fixo, como a Lei Brasileira de Inclusão. Agora, o SNEL tem capacidade de influenciar os editores, mas não consegue determinar as práticas comerciais que eles vão ter. A Aleph, por exemplo, decidiu que nos próximos quatro meses fará todos lançamentos com exclusividade com a Amazon. Eles são soberanos. Você também vai ver grandes cadeias de livrarias fazendo campanhas com adesão da editora A ou B. No final é melhor quando entendemos que esses assuntos dizem respeito a todos nós. Posso nem sempre concordar com a visão que os livreiros têm, mas acho que é importante discutir, ao invés de desconsiderar.

Quais são suas discordâncias com relação às práticas dos livreiros?

Se depois da minha gestão no SNEL perguntarem: “qual a grande contribuição que o Marcos deu para a indústria editorial?”, adoraria ouvir: “o Marcos tornou o mercado mais profissional”. É preciso que as relações sejam mais profissionais: por isso trabalhamos em questões de transparência, as pesquisas, a criação do Painel de Vendas da Nilsen, a antecipação dos resultados da FIPE, o trabalho de consignação. Acho que as relações são de muita confiança. Trabalho há 36 anos nesse mercado. Cheguei a pegar a dúzia de treze. Se vendiam doze livros mas eram entregues treze como bonificação. Em 1994, no início do Plano Real, houve uma grande transformação: o varejo deixa de viver da gestão financeira e volta à comercial, observando os parâmetros que uma gestão comercial tem: giro, margem, custos. As livrarias começam a se informatizar, e aí talvez percam um pouco na questão da qualidade do serviço. Também houve essa questão fundamental que foi a mudança do regime de compra para o de consignação. Em alguns casos, mais que a maioria, houve uma perda de gestão porque parece que o livreiro não tem responsabilidade sobre aquele estoque. Isso gera uma questão na qualidade da informação. Gera uma desconfiança entre editor e livreiro sobre a gestão dos números nos acertos de consignação. Esse ambiente nunca é favorável. Também temos investido em melhorar a tecnologia entre as partes de modo que a informação flua de uma forma mais transparente.

A tecnologia foi mais ou menos benéfica para o mercado editorial?

Vejo em dois aspectos. O primeiro é o gerencial. A própria gestão das livrarias é muito mais informatizada, o que possibilita saber o que há em um estoque com uma infinidade de itens e ver qual o giro dos livros. Onde talvez tenha havido uma perda foi no relacionamento do livreiro com o consumidor. O meu avô foi um gerente de loja na Casa Garraux e era o preferido da sociedade paulista porque conhecia os livros. Também conhecia os consumidores e fazia a junção. Temos perdido ao longo dos anos essa característica de livraria de bairro em que você lida com a comunidade do entorno. Esse atendimento personalizado foi sendo perdido e ficou muito mais difícil. Hoje o número de lançamentos por ano, livros em que há uma aposta da editora, excluindo os livros técnicos e reedições, deve estar em torno de 10 mil por ano. São 50 títulos novos por dia útil. Lidar com isso sem tecnologia é muito complicado, mas ao mesmo tempo ela não lhe dá todas as respostas. É preciso ter um feeling; ser um profissional que conhece esses itens. Tem também o outro lado da tecnologia que são os novos formatos que, diferente das outras indústrias vieram para ocupar um espaço: o livro digital e o audiolivro. Entendo que funcionam muito bem para quem já é um leitor tradicional; ele migra com mais facilidade. Não vejo novos entrantes no livro através deles. A única diferença é que tanto no digital quanto no audiolivro é impossível ter uma grande capilaridade. Vai ser um mercado concentrado em poucos players. O livro digital está concentrado em seis grandes canais. Não adianta investir para ser a nova livraria de livros digitais. Não recomendo.

Qual sua opinião sobre o e-book, que teve queda de crescimento nos EUA e parece não ter emplacado por aqui?

A minha percepção foi de que o crescimento aqui no Brasil em 2016 foi de 20%. Neste momento estamos fazendo um censo sobre a produção e venda em 2016. Vai ser um marco. Daqui para frente teremos informação, antes era especulativo. O que sabemos é que no digital a não ficção funciona médio e a autoajuda e espiritualidade funcionam pouco. A ficção mais comercial funciona bem e pode chegar em alguns títulos a 10% das vendas. Há uma concentração muito grande da autopublicação nessa área. Se tivesse de chutar diria que na média o livro digital estaria em torno de 3% do mercado. Esse crescimento de 20% significa sair de 3% e ir para 3,6% no ano seguinte. O que continua muito pequeno. A expansão americana foi de 3% para 7%, para 15%, para 25%. Daí, ela começou a declinar no momento em que os editores conseguem estabelecer uma regra de precificação que valorize de novo o livro digital. A grande questão do crescimento do livro digital nos Estados Unidos e na Inglaterra, países onde não há Lei do Preço Fixo, é que se começou a vender o livro digital a 9,99, 7,99 e 6,99 . Na hora em que os editores dizem não, o livro é 12,99, 14,99 o consumidor recua. Mas acho uma venda mais saudável. Valoriza o livro, valoriza o autor.

Como anda no Brasil a tendência da autopublicação, que está forte na Europa?

Conheço a experiência que a Amazon e a Saraiva têm de autopublicação. As empresas declaram números bons, positivos. Confesso que não sei qual o impacto que isso tem na indústria como um todo. Tem gente lendo. Quando você entra na Amazon e vê a página do Kindle com os 100 livros mais vendidos, pelo menos 40% são autopublicados. Você vê os preços e são bem mais acessíveis no preço. Eu adoro o que faço, adoro editar. Ser um comerciante de livros é parte do que a gente faz. Fico muito mais pleno na minha capacidade empresarial toda vez que ajudo um autor a fazer um livro melhor; quando a gente intervém e consegue construir em conjunto. Acho que essa profissão continua tendo um valor agregado muito grande. Claro que o livro autopublicado tem a sua função e, às vezes, é até uma forma de chamar a atenção para o editor que vai fazer aquele livro acontecer em uma escala maior.

Como você, engenheiro por formação se tornou um editor de livros?

Sempre fui muito bom em matemática e física. Exatas era um brinquedo para mim. Em umas férias de julho fiquei doente e fiz todos os exercícios de matemática do livro para o segundo semestre. Gosto muito, brinco com os números. Quando comecei a faculdade de engenharia decidi que queria trabalhar. Já ganhava um dinheiro meu desde os 16 anos com aula particular de matemática. Mas meu pai disse para ir trabalhar com ele na Salamandra. Fui em primeiro de fevereiro de 81, como está na minha carteira profissional. Fui trabalhar na mesa do meu pai, com quem tinha uma relação muito próxima. Era uma mesa grande e fiquei em um cantinho fazendo coisas como datilografar cartas, fazer mala direta. Mas tem um momento marcante, em 82, quando ele contrata a Ana Maria Machado para dar uma consultoria já que tinha resolvido só fazer livro infantil. Ela chega junto com a Ruth Rocha que lê para o meu pai o livro O que os olhos não vêem. Eu disse “Uau, esse negócio de editar livros é muito bacana Você conhece gente muito legal”. E fui me envolvendo. Meu pai me levou para São Paulo para conhecer gráfica, ver fotocomposição. Tive um professor extraordinário, que era um dos melhores amigos que tive na vida. Aí você entende o que é esse vírus do livro. E ter uma mente lógica, processual, engenheira me ajudou muito como empresário. Tive esse ganho de poder ter o encanto pelo livro mas ao mesmo tempo olhar para ele de uma maneira pragmática, empresarial.

Em que momento surgiu a editora Sextante?

A Salamandra fazia livros infantis e livros de arte, projetos especiais. Em 92 houve duas grandes rupturas que determinam o nascimento da Sextante. Tomás, meu irmão caçula, volta do intercâmbio sem saber onde irá trabalhar e digo a ele: ”Acho que você tem uma contribuição enorme para a editora. Você tem uma cabeça diferente.” A outra foi que meu pai leu o livro Muitas vidas, muitos mestres, do Brian Weiss e ficou fascinado.Eu disse que não tinha nada a ver com o que fazíamos mas que o livro era realmente muito bom e podíamos publicá-lo. Era uma época de crise, no início dos anos 90, com hiperinflação, quando a Salamandra perdeu a capacidade de se diferenciar de grandes editoras como Ática, Companhia das Letrinhas e outras que competiam nessa área. Como não conseguíamos ser mais diferentes na parte infantil decidimos vendê-la e começar algo novo. Conversamos com o fundador da Moderna, Ricardo Feltri, que mostrou interesse exatamente só na parte infantil. Então ficamos com a parte adulta e criamos a Sextante em fevereiro de 98. Migramos os títulos, eram cerca de 15. A gente estava começando a fazer livros de espiritualidade e migramos para a autoajuda. Foi uma coisa construída lentamente. A editora nasceu sem nome. A empresa se chama GMT que é Geraldo, Marcos e Tomas Editores. Começamos a pensar qual a missão da nossa empresa para descobrir um nome. Queríamos publicar livros que ajudassem as pessoas a encontrarem um caminho espiritual, da paz, da felicidade. Daí surgiu a palavra sextante.

Você é uma pessoa ligada à espiritualidade?

Não particularmente. Sou uma pessoa melhor do que era. Os livros da editora efetivamente trazem uma contribuição enorme para as pessoas. Mas há uma essência fundamental. Meu pai e minha mãe sempre foram pessoas que queriam transformar o mundo fazendo o bem. Sempre vivemos com essa fé. Não tanto a fé religiosa mas a espiritual; fazer o bem é a coisa mais importante. Quando fiz primeira comunhão a minha mãe disse:” Você entende o significado da palavra comungar? Não é comer a hóstia. É estar próximo das pessoas. Comungar é entender, é aceitar, é essa troca.” Continuo bastante pragmático mas acho que ser justo, trabalhar em conjunto, ter ética, são valores que existem. Sou uma pessoa muito competitiva. Não sou o bonzinho, mas espero ser justo nas minhas relações. Acho que Geraldo e Tomás foram os grandes editores, as pessoas que formaram esse catálogo. Tomás é quem traz o Dalai Lama no começo da editora. Tem o papai que lá atrás tinha falado do Brian Weiss e em 2003 traz o Código da Vinci. Hoje a Sextante tem um catálogo de mil e cem livros. O mais difícil quando se alcança o resultado que tivemos é manter os fundamentos. Ter um mínimo de humildade e achar que não chegou lá. Que precisa continuar trabalhando muito. É preciso uma equipe que tenha o mesmo espírito. A questão de crescer é ter de confiar em muito mais gente. É preciso manter a jovialidade. Quando completamos 15 anos fiz um discurso em que disse: “Há 15 anos nascia uma editora que queria mudar o mercado com uma ideia totalmente diferente de fazer livros mais acessíveis, com tiragens maiores, com investimento maior em divulgação. Acho que criamos um paradigma. Hoje está nascendo uma editora que vai mudar o mercado nos próximos 15 anos. Temos a opção de ser essa editora ou de deixar que uma nova editora assuma esse papel”.

E quando surgiu a Arqueiro?

A Arqueiro surgiu um pouco depois da morte do papai. Estávamos procurando uma marca para os nossos títulos de ficção e queríamos homenagear o Geraldo. Então descobrimos a foto dele com o arco e flecha. Na verdade o papai era um grande jogador de sinuca. Era muito bom. E é aquele mesmo olho do arqueiro; a capacidade de visualizar exatamente onde você quer acertar. Não dava para botar o nome Sinuqueiro então vimos essa foto em que ele está em um resort com um arco e flecha. Queríamos passar a ideia de que você tem um alvo preciso. A maior editora de livro de entretenimento no mundo é a Random House, que quer dizer casa aleatória. Significa que a atividade editorial é aleatória. Que sempre foi a crença do mercado editorial e continua válida, porque não há certeza, não há fórmula. Quando a Random House foi fundada havia muito menos ciência, menos informação e muito mais instinto. Papai adorava o filme Golpe de Mestre em que os caras estão sempre passando a mão no nariz. Um passava a mão no nariz e dizia: “Isso tem cheiro de sucesso”. Hoje em dia há muito mais informação para saber se tem cheiro de sucesso. Você compara com outros livros, com outros fenômenos. Mas ninguém sabe de onde virá o próximo fenômeno. Ou todo mundo sabia que O Caçador de Pipas iria virar um fenômeno? Ou que A menina que roubava livros ou A culpa é das estrelas virariam grandes fenômenos? Quando o meu pai leu o Código da Vinci, do Dan Brown, leu o manuscrito. Antes de ser publicado nos Estados Unidos. Mas ele teve a convicção absoluta de que aquele era um livro excepcional.

Como você vê o sucesso de vendas dos youtubers?

Acho normal. Talvez tenhamos passado o pico disso no final de 2015, 2016 quando foi muito forte. Os temas vão se esgotando. Mas não acho ruim, faz parte. O nosso desafio é como manter esses jovens leitores consumindo o próximo livro. Me lembro das pessoas que criticavam o Harry Potter. A quantidade de gente que veio depois… Crepúsculo, livros de vampiro . A discussão sobre criar hábito de leitura no Brasil é muito importante, porque o hábito nasce por prazer. Mesmo assim, criar o hábito com a diversidade de assuntos que temos na vida, é difícil. Você só vai criar uma relação de prazer com a leitura se você se engaja com ela. Aquela leitura escolar, obrigatória é muito questionável. Desde a minha geração já era complicado. Como mudamos esse processo? Se as pessoas estão lendo o youtuber da vez, ok. Se conseguirmos capturar 20%, 30% dessas pessoas para lerem outras coisas. Se conseguirmos convencer esses youtubers a recomendarem leituras. A tendência de vendas nos últimos anos é o público mais jovem e feminino. Os grandes fenômenos nos últimos anos são para um público mais jovem como a Jojo Moyes, o John Green, Jogos Vorazes, o Game of Thrones, que talvez seja um público mais misturado. Agora estamos em uma época em que não há nenhum grande fenômeno. Ano passado foi curioso porque tivemos a Jojo Moyes, como fenômeno mas o Harry Potter foi muito menor no Brasil que em outros países.

Como é o trabalho da Sextante e da Arqueiro junto aos livreiros?

Há muito tempo temos uma prática que hoje vários editores fazem de apresentar os livros aos livreiros. Nossa convicção é que a livraria é o grande local de decisão de compra. Posso anunciar em um ônibus ou posso comunicar na livraria o lançamento do livro. Hoje temos as mídias sociais como maior ênfase do marketing da editora e você tem o canal de vendas como ponto principal de exposição e comunicação. Lançamos uma média de 12 livros por mês, que para o nosso porte é um número bem menor que a média. Comparando com a Companhia das Letras e a Record, lançamos muito menos. Então é fundamental que você seja capaz de comunicar cada livro para que cada um tenha a chance de cumprir sua carreira. Foi um dos pontos principais de nossa estratégia a vida inteira. Ano passado em Londres participamos de um leilão e quando compramos o livro a nossa energia estava lá em cima, 110% de certeza. Então o livro entra no processo de edição e produção e é lançado. Se nesse meio tempo a energia caiu para 70% de crença, você tem um desperdício imenso. Como manter esses 110%, manter essa energia e chegar ao mercado dizendo: “esse é o livro, é o melhor thriller que lemos em muito tempo”. Estamos competindo pela atenção das pessoas. Preciso que você invista 6 ou 7 horas da sua vida para ler esse livro e eu prometo que vai ser um entretenimento sem igual. Por isso fazemos esse trabalho junto aos livreiros. É um trabalho que sempre houve por parte das editoras mas talvez o nosso seja mais consistente, um trabalho de formiguinha, de manter, de continuar, de acreditar.

Você frequenta grandes feiras internacionais como Frankfurt e Londres. Como é a relação com as livrarias cariocas?

Confesso que frequento menos do que deveria. Devo ir umas três vezes por mês. E acabo fazendo uma coisa horrível que é ficar vendo se nossos livros estão bem expostos ao invés de observar a concorrência. Você tem de ver o que a concorrência está lançando, o tipo de capa que estão usando. Tem de ver os materiais promocionais na loja. Esse olhar mercadológico faz parte da história da profissionalização. A origem da palavra marketing é estudo de mercado, que é olhar o mercado como um todo, ver o que todos estão fazendo. Não olhar para o próprio umbigo.

Existe alguma livraria na cidade que o tenha marcado especialmente?

São muitas mas vou dar um exemplo saudosista e amoroso que é o Aloisio da Timbre. Quando meus filhos mais velhos nasceram eu ia muito ao teatro no Shopping da Gávea. Quase todo o sábado íamos ao cinema, teatro ou lanchar e sempre passava na Timbre para visitar o Aloisio,. É uma livraria pequena. Ele controlava a venda dos livros em um caderno. Ele tinha a paixão do livreiro. Se for para fazer um registro que seja o do Aloisio.

 

Abril de 2017 – O terceiro período* do Painel de Vendas de Livros de 2017 apresenta grande crescimento quando comparado aos números do mesmo intervalo no ano anterior: 12,34% em faturamento e 16,59% nas vendas em volume. O resultado foi fortemente influenciado pelas promoções do Dia Internacional da Mulher nos pontos de vendas, que levaram a uma queda no preço médio de 3,65%.

A recuperação contribuiu para o mercado livreiro fechar positivamente o primeiro trimestre de 2017, no acumulado** das 12 primeiras semanas do ano. O desempenho é o melhor dos últimos dezoito meses, com aumento de 7,09% em faturamento e 6,89% em volume.

“A notícia é mais do que esperada pelo mercado e deve ser comemorada pelo fato de demonstrar que a recuperação é sólida, especialmente considerando que os três períodos acumulados já abrangem a época de volta às aulas e o carnaval. Há muito os índices de crescimento não superavam a inflação”, comenta Ismael Borges, gestor do Bookscan Nielsen Brasil.

Esses são alguns dos dados do 3º Painel das Vendas de Livros no Brasil em 2017, apresentado pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e pela Nielsen. Os números têm como base o resultado de Nielsen BookScan Brasil, que apura as vendas das principais livrarias e supermercados no país.

Veja o estudo completo.

* T. Mercado – Período 3: 2016 (29/02 a 27/03/2016) x 2017 (27/02 a 26/03/2017)
**T. Mercado – Acumulado WK01 / WK12: 2016 (04/01 a 27/03/2016) x 2017 (02/01 a 26/03/2017)
Fonte: Nielsen | Nielsen BookScan

Abril de 2017 – Uma matéria exibida no “Fantástico” do último domingo (23) convidou personalidades que amam ler, como a cantora e compositora Adriana Calcanhoto, os atores Antonio Fagundes e Lázaro Ramos, o escritor Paulo Coelho, o técnico Tite e o cartunista Ziraldo, para escolherem títulos que marcaram sua vida.

Os livros indicados pelo grupo foram deixados em bancos de metrô, ônibus e praças, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e São João Del Rey, em Minas Gerais, com dedicatórias incentivando a leitura. A produção monitorou com câmeras escondidas o destino das obras e entrevistou algumas pessoas que levaram um dos exemplares para casa. Assista.

O presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, Marcos da Veiga Pereira, participou da reportagem, que também deu destaque a dados do Painel das Vendas de Livros no Brasil, pesquisa que o SNEL divulga mensalmente em parceria com a Nielsen Bookscan, com números atualizados do varejo livreiro no país.

A matéria rendeu um infográfico multimídia, chamado “Leitor anônimo”, com informações sobre as dicas de livros dadas pelas personalidades e fotos das mensagens escritas nas dedicatórias. Confira o especial.

 

 

Abril de 2017 —  Editoras e autores podem inscrever seus livros para concorrer ao “Oceanos – prêmio de literatura em língua portuguesa” até o dia 30 de abril.

Em sua terceira edição, o Oceanos traz uma novidade: ampliará sua abrangência para todos os livros publicados originalmente em língua portuguesa, em versão impressa e digital (e-book), em qualquer lugar do mundo. Podem ser inscritas obras nas categorias poesia, romance, conto, crônica e dramaturgia (com exceção de adaptações), com 1ª edição entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2016.

Com a internacionalização do prêmio, realizado em parceria com o Itaú Cultural, a estrutura do evento passa a ter uma curadoria em Portugal, sob o comando da jornalista Ana Sousa Dias, que atuará em conjunto com os curadores brasileiros Selma Caetano e Manuel da Costa Pinto.

As inscrições devem ser feitas pelo site www.itaucultural.org.br/oceanos2017

No ato do cadastro, as obras devem ser anexadas obrigatoriamente em formato PDF, mesmo as que tenham sido publicadas em outro formato digital. Os arquivos PDFs serão encriptados e só poderão ser lidos através de sistema próprio, com acesso individual protegido por usuário e senha.

Uma vez validados pela curadoria,  os livros inscritos passam por três etapas de avaliação. Na primeira, cada obra terá três leituras e três análises por diferentes jurados até à seleção dos 50 semifinalistas. Nas duas etapas seguintes, os Júris Intermediário e Final definirão respectivamente os 10 finalistas e os quatro vencedores do Oceanos 2017.

As premiações somam R$ 230 mil.

Para esclarecer dúvidas sobre as inscrições, entre em contato com Marcelia Bezerra, pelo e-mail oceanos@itaucultural.org.br

Participe!

Fonte: Coluna Radar On-Line – Veja

Abril de 2017 –  Um mapeamento feito pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) vai revelar, pela primeira vez, o tamanho do mercado de livros digitais no país.

O estudo, visto como crucial para o desenvolvimento do setor, teve a adesão de 350 editoras e o resultado final será divulgado em junho.

Calcula-se que a venda de livros digitais cresça a uma taxa de 20% ao ano. O Brasil, no entanto, é menos desenvolvido em relação a outras economias.

“Acredita-se que apenas 2,5% das vendas sejam digitais. Na Espanha, por exemplo, já corresponde a 10%”, diz Marcos Pereira, dono da editora Sextante e presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livro (Snel).

“É um produto muito atraente em tempos de crise, já que custa, em média, 30% a menos que o formato convencional”, completa.

O estudo é uma parceria entre o sindicato e a Câmara Brasileira de Livros.

Março de 2017 – O segundo período* analisado das vendas de livros no Brasil em 2017 apresentou crescimento, quando comparamos seus resultados aos do mesmo período no ano anterior (6,33% em faturamento e 7,85% nas vendas em volume). Observando uma maior massa de dados, no acumulado** das primeiras oito semanas do ano, os números também têm alta: 5,05% em faturamento e 2,78% em volume.

Além disso, o segundo período aponta para um aumento no desconto médio praticado pelos canais de vendas de 3,8 pontos percentuais, indicando um maior esforço promocional nas vendas de livros.

“Ainda é cedo para comemorarmos os resultados do ano, principalmente porque a semana do Carnaval em 2017 acontece no 3T, e as vendas são normalmente muito menores neste período. Mas acredito que o mercado em geral caminha para a estabilidade e um possível crescimento no segundo semestre, quando a economia brasileira estiver demonstrando sinais mais consistentes de melhoras, principalmente em relação ao emprego”, comenta Marcos da Veiga Pereira, presidente do SNEL.

Esses são alguns dos dados do 2º Painel das Vendas de Livros no Brasil em 2017, apresentados pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e pela Nielsen. Os números têm como base o resultado de Nielsen BookScan Brasil, que apura as vendas das principais livrarias e supermercados no país.

Veja o estudo completo.

*T. Mercado – Período 2: 2016 (01/02 a 28/02/2016) x 2017 (30/01 a 26/02/2017)
**T. Mercado – Acumulado WK01 / WK08: 2016 (04/01 a 28/02/2016) x 2017 (02/01 a 26/02/2017)
Fonte: Nielsen | Nielsen BookScan

Março de 2017 – O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por unanimidade nesta quarta-feira (8) que livros digitais (e-books) estão isentos de impostos, ampliando a imunidade tributária concedida pela Constituição Federal a livros, jornais, periódicos e ao papel destinado à impressão. No mesmo julgamento, o STF também estendeu o benefício aos suportes exclusivos para leitura eletrônica (e-readers) e dispositivos de armazenamento de conteúdo que integram materiais didáticos, como CD-ROMs.

O Sindicato Nacional dos Editores de Livros, que teve participação no processo como amicus curiae (ou seja, mesmo não sendo parte, apresentou no Supremo sua opinião sobre o assunto), comemora o resultado. O parecer do Professor Gustavo Tepedino, advogado contratado pelo SNEL para atuar no caso, foi ressaltado tanto no voto do ministro Dias Toffoli (confira na íntegra) quanto no voto do ministro Luiz Edson Fachin.

Leia abaixo a notícia divulgada pelo Notícias STF.

STF decide que livros digitais têm imunidade tributária

Fonte: Notícias STF

Em votação unânime, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que livros eletrônicos e os suportes próprios para sua leitura são alcançados pela imunidade tributária do artigo 150, inciso VI, alínea “d”, da Constituição Federal. Os ministros negaram provimento aos Recursos Extraordinários (REs) 330817 e 595676, julgados em conjunto na sessão desta quarta-feira (8).

Para o colegiado, a imunidade tributária a livros, jornais, periódicos e ao papel destinado à sua impressão deve abranger os livros eletrônicos, os suportes exclusivos para leitura e armazenamento, além de componentes eletrônicos que acompanhem material didático.

No RE 330817, com repercussão geral reconhecida, o Estado do Rio de Janeiro questionava decisão do Tribunal de Justiça local (TJ-RJ) que, em mandado de segurança impetrado pela editora, reconheceu a existência da imunidade prevista no artigo 150 (inciso VI, alínea “d”) da Constituição Federal ao software denominado Enciclopédia Jurídica Eletrônica e ao disco magnético (CD ROM) em que as informações culturais são gravadas. Para o estado, o livro eletrônico, como meio novo de difusão, é distinto do livro impresso e que, por isso, não deve ter o benefício da imunidade.

Para o relator da ação, ministro Dias Toffoli, a imunidade constitucional debatida no recurso alcança também o livro digital. Segundo o ministro, tanto a Carta Federal de 1969 quanto a Constituição de 1988, ao considerarem imunes determinado bem, livro, jornal ou periódico, voltam o seu olhar para a finalidade da norma, de modo a potencializar a sua efetividade. “Assim foi a decisão de se reconhecerem como imunes as revistas técnicas, a lista telefônica, as apostilas, os álbuns de figurinha, bem como mapas impressos e atlas geográficos”, disse em seu voto.

Ainda de acordo com o relator, o argumento de que a vontade do legislador histórico foi restringir a imunidade ao livro editado em papel não se sustenta. O vocábulo “papel” constante da norma não se refere somente ao método impresso de produção de livros, afirmou. “O suporte das publicações é apenas o continente, o corpus mechanicum que abrange o seu conteúdo, o corpus misticum das obras. Não sendo ele o essencial ou, de um olhar teleológico, o condicionante para o gozo da imunidade”, explicou.

Nesse contexto, para o relator, a regra da imunidade igualmente alcança os aparelhos leitores de livros eletrônicos ou e-readers, confeccionados exclusivamente para esse fim, ainda que eventualmente estejam equipados com funcionalidades acessórias que auxiliem a leitura digital como acesso à internet para downloadde livros, possibilidade de alterar tipo e tamanho de fonte e espaçamento. “As mudanças históricas e os fatores políticos e sociais presentes na atualidade, seja em razão do avanço tecnológico, seja em decorrência da preocupação ambiental, justificam a equiparação do papel aos suportes utilizados para a publicação dos livros”, destacou.

Março de 2017 – A Câmara do Livro do Distrito Federal convida editoras, livrarias e distribuidoras para o evento de lançamento da 33ª Feira do Livro de Brasília, no dia 07 de março (terça-feira), às 16h, no Pátio Brasil Shopping, em Brasília.

Na ocasião, a entidade apresentará o mapa dos estandes e dará início à locação de espaços na feira. Para reservarem seus estandes, os expositores interessados devem entrar em contato pelo e-mail feiradolivro2017@gmail.com ou pelo telefone (61) 98265-0158. Mais informações no convite abaixo.

A 33ª Feira do Livro de Brasília acontecerá entre os dias 16 e 25 de junho de 2017, com o tema “Inclusão e Cidadania”.

Convite lançamento-anúncio Feira do Livro de Brasilia

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